PAÍS
Metro do Porto já incorporou recomendações do relatório do LNEC sobre cheias

"Tendo como prioridade absoluta e inegociável a segurança na execução dos seus projetos, a Metro do Porto já incorporou as recomendações deste relatório", pode ler-se num comentário da empresa enviado à Lusa após o relatório ter sido hoje noticiado.
Para a Metro do Porto, "trata-se de um documento da entidade nacional de referência em matéria de engenharia civil, que desde sempre acompanha e apoia a construção das linhas de metro".
As obras do Metro do Porto agravaram as cheias ocorridas na baixa da cidade em 07 de janeiro, mas teria havido inundações mesmo sem a empreitada, segundo um relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).
Segundo o relatório do LNEC, noticiado pelo jornal Público e a que a Lusa também teve hoje acesso, "da análise dos resultados, conclui-se que teria existido inundação relevante na zona de interesse, mesmo que não estivessem a decorrer as obras em análise".
"Verificou-se igualmente que as alterações à rede de drenagem e à superfície urbana alteraram as condições de escoamento, ocorrendo, em alguns locais, agravamento da inundação", pode ler-se no relatório.
De acordo com o documento, pedido pela Metro do Porto ao LNEC na sequência das inundações, os locais mais impactados pela água foram a Rua das Flores, ligação da Praça da Liberdade à Praça Almeida Garrett, passagem entre o Palácio das Cardosas e estaleiro da Praça Almeida Garrett, extremo sul da Rua Sá da Bandeira e topo norte da Rua Mouzinho de Albuquerque.
"Este impacto resulta da ação conjunta da descarga de caudais da rede de drenagem, da circulação dos caudais provenientes das zonas altas e dos constrangimentos devidos ao estaleiro", pode ler-se no documento.
O concelho do Porto registou, em 07 de janeiro, em menos de duas horas, 150 pedidos de ajuda por causa das inundações em habitações e vias públicas, principalmente na baixa da cidade, disse naquele dia à Lusa fonte da Proteção Civil local.
O LNEC deixou várias recomendações na sequência do relatório, como "que as alterações provisórias efetuadas na rede de drenagem enterrada sejam antecipadamente analisadas com a entidade que gere esta infraestrutura", sendo "assegurada a capacidade de vazão existente".
"Que os materiais depositados ou soltos no estaleiro sejam contidos por forma a evitar o seu arrastamento e a colmatação das sarjetas e sumidouros a jusante, cuja superfície deve encontrar-se desobstruída", recomenda ainda o relatório.
Os estaleiros devem ainda recorrer a "tapumes que permitam a passagem de água", ou ser "efetuados desvios para locais que permitam a acumulação temporária de água em excesso".
Por fim, o LNEC recomenda que "os acessos às estações de metro sejam sobrelevados em relação à superfície circundante e que o alinhamento da entrada não coincida com o sentido predominante do escoamento à superfície".
O Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE) do projeto de construção da Linha Rosa do Metro do Porto já identificava como uma “vulnerabilidade” a possibilidade de cheias devido ao desvio de condutas, mas com impacto reduzido.
O documento consultado pela Lusa em janeiro, datado de fevereiro de 2020, aponta a "obstrução temporária da rede de drenagem de águas pluviais e desvio provisório do escoamento, em especial decorrente do projeto do desvio do rio da Vila (com uma intervenção mais expressiva na rede de drenagem pluvial)".
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