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Advogados lamentam julgamento do atropelamento mortal na A6 sem Eduardo Cabrita
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O advogado da família do trabalhador que morreu atropelado na A6 por um dos veículos da comitiva do então ministro Eduardo Cabrita insistiu hoje que o ex-governante deveria estar a ser julgado, não apenas o seu ex-motorista.
O julgamento de Marco Pontes, que à data do atropelamento mortal do trabalhador Nuno Santos era motorista do então ministro da Administração Interna (MAI) e responde pelo crime de homicídio por negligência grosseira, arrancou hoje de manhã no Tribunal Judicial de Évora.
Em declarações aos jornalistas no exterior do tribunal, José Joaquim Barros, advogado da família da vítima mortal, disse esperar que "se faça justiça", o que, "em primeiro lugar", implica a atribuição de uma compensação financeira para a viúva e as duas filhas do trabalhador.
Nuno Santos "morreu a trabalhar na autoestrada num ato não doloso, mas muito negligente da parte do carro ou do condutor e do senhor ministro, apesar de o senhor ministro não estar aqui a ser julgado agora", argumentou o advogado.
O defensor da família disse ter "muita pena" que Eduardo Cabrita não esteja sentado no banco dos réus e afiançou que fez "tudo o que era possível" para que tal acontecesse.
"Sendo o senhor ministro responsável pela deslocação de toda aquela comitiva, como aliás penso que ficou perfeitamente demonstrado, deveria juridicamente assumir a responsabilidade", insistiu, considerando que "a tese que venceu é patética", a de que o antigo governante "era só um passageiro" na viatura.
Eduardo Cabrita, argumentou, "não era só um passageiro naquela comitiva", porque era quem "determinava como é que a comitiva deveria andar", reiterou, afirmando esperar que o que aconteça no julgamento do ex-motorista "reponha alguma justiça".
José Joaquim Barros revelou também que o ex-ministro Eduardo Cabrita e o seu ex-chefe de segurança Nuno Dias vão ser ouvidos como testemunhas durante o julgamento.
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