POLÍTICA NACIONAL
Isaltino Morais celebra posse com festa de 75 mil euros
Oiça o artigo
0:00

Isaltino Morais inaugurou o seu terceiro mandato em Oeiras com uma gala de posse de quase 75 mil euros, realizada na Cidade do Futebol e paga com dinheiro público. A cerimónia, digna de evento corporativo, levantou dúvidas sobre a legalidade do contrato relâmpago com a FPF Events.
A tomada de posse dos novos órgãos autárquicos de Oeiras tratou-se de uma verdadeira cerimónia de gala. O evento decorreu nas instalações da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), na Cruz Quebrada, e custou aos cofres da autarquia quase 75 mil euros, valor suportado integralmente pelo erário público.
Em vez de recorrer a espaços municipais sem custos, avançou o jornal online Página UM, o presidente Isaltino Morais optou por um cenário digno de uma gala, com música ao vivo, chamada ao palco dos eleitos e uma encenação cuidada que resultou num pagamento de 60,5 mil euros, acrescidos de IVA, à FPF Events, empresa detida a 100% pela Federação Portuguesa de Futebol. Criada em 2013, esta sociedade comercial possui um capital social simbólico de apenas um euro.
O contrato foi formalizado na véspera da cerimónia e executado de imediato, recorrendo a uma figura legal designada “contratação excluída II”, prevista no Código dos Contratos Públicos (CCP). Esta exceção, explica o jornal online, que dispensa determinados trâmites formais, foi utilizada em conjunto com outra norma que permite a dispensa de contrato escrito, sob o argumento de que os serviços seriam prestados em menos de 20 dias. Na prática, a autarquia tratou um gasto de dezenas de milhares de euros como se se tratasse de uma aquisição de reduzido montante.
Na justificação formal, a Câmara de Oeiras considerou que a organização da “gala de tomada de posse” — incluindo o aluguer do espaço, a logística e os serviços técnicos — podia ser enquadrada como uma prestação de curta duração. A cerimónia contou com a presença de várias figuras políticas, entre as quais Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas, e Patrícia Costa, secretária de Estado da Habitação.
“A dispensa de formalidades não é sinónimo de dispensa de responsabilidade”, sublinhou um jurista, acrescentando que nada justificava a urgência ou a falta de planeamento neste caso.
Comentários0
A carregar comentários…