PAÍS
PJ lança alerta nacional: cibercrime já atinge milhares de jovens portugueses

A Polícia Judiciária (PJ) apresentou esta sexta-feira, em Coimbra, uma nova campanha de sensibilização para os riscos no ambiente digital, revelando que 11,5% dos jovens que participaram em sessões de prevenção afirmam ter sido vítimas de cibercrime.
Os dados resultam da utilização do videojogo RAYUELA, uma ferramenta pedagógica desenvolvida no âmbito de um projeto europeu, noticiou o Correio da Manhã.
O jogo foi criado para ser usado em contexto escolar e aborda temas como cyberbullying, aliciamento online, phishing, discurso de ódio ou partilha abusiva de conteúdos. Desde o seu lançamento, já chegou a mais de dez mil alunos em mais de 400 escolas do país.
Na apresentação da campanha “Missão Cibersegura”, realizada na Escola Artística do Conservatório de Música de Coimbra, a inspetora Constança Brito, da Unidade de Combate ao Cibercrime, indicou que 5,1% dos jovens assumiram ter adotado comportamentos de agressão online.
O RAYUELA coloca os participantes perante diferentes cenários e decisões que moldam o desenrolar da história, permitindo avaliar a perceção de perigo e os comportamentos digitais dos estudantes.
Os dados recolhidos mostram que 12% dos alunos adotaram atitudes ofensivas em situações simuladas de cyberbullying, ainda que a maioria desses reconhecesse que estava a agir de forma incorreta. Por outro lado, quase 70% apoiaram a vítima nestes cenários.
Segundo a PJ, o phishing continua a ser uma das áreas onde os jovens revelam maior vulnerabilidade. Dos participantes nas sessões, 18% aceitaram pedidos de amizade de desconhecidos e 6,4% enviaram conteúdos íntimos no contexto do jogo.
Durante a sessão, o inspetor Ricardo Vieira apelou aos estudantes para relatarem situações reais quando estas ocorrerem e alertou para a importância de preservar provas. “É essencial saber o que fazer, quem contactar e como guardar informação. Capturas de ecrã e registos são fundamentais para uma investigação.”
A campanha pretende reforçar a literacia digital, promover comportamentos seguros e incentivar o diálogo entre alunos, professores e famílias sobre os riscos associados à Internet.
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