PAÍS
Mais de 1,56 milhões sem médico de família: SNS fecha 2025 pior do que começou

Número de utentes sem médico voltou a subir em dezembro: soma três meses consecutivos de agravamento e termina o ano com mais 40 mil pessoas a descoberto do que em 2024.
O número de utentes do Serviço Nacional de Saúde sem médico de família voltou a aumentar em dezembro e fechou 2025 com 1.563.710 pessoas sem acompanhamento médico atribuído, segundo dados oficiais do Bilhete de Identidade dos Cuidados de Saúde Primários, consultados pelo Observador.
Só em dezembro, registaram-se mais cerca de seis mil utentes a descoberto face a novembro, confirmando uma tendência negativa que já vinha dos meses anteriores. Trata-se do terceiro agravamento mensal consecutivo: em outubro havia 1.542.989 pessoas sem médico, número que subiu para 1.557.148 em novembro e voltou a crescer no último mês do ano.
O retrato anual é ainda mais pesado. Segundo o Observador, em comparação com o final de 2024, quando estavam sem médico de família 1.522.545 utentes, o SNS termina 2025 com mais cerca de 40 mil pessoas sem resposta, um agravamento de aproximadamente 2,3% num só ano.
Apesar das oscilações mensais, o saldo político é claro: quase nada mudou desde abril de 2024, mês em que tomou posse o primeiro Governo de Luís Montenegro. Nessa altura, estavam sem médico 1.565.880 utentes, apenas cerca de dois mil a mais do que hoje. Desde então, os números têm oscilado, mas sem nunca inverter de forma sustentada a tendência.
Na prática, Portugal entra em 2026 com mais de um milhão e meio de pessoas sem médico de família, num sistema onde o problema é antigo, estrutural e continua sem solução à vista.
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