Rita Rato, também ex-diretora do Museu do Aljube, garantiu contrato sem termo na Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC) dias antes das Autárquicas de 2021. Decisão terá sido tomada sem deliberação formal do conselho de administração.
Rita Rato não foi reconduzida na direção do Museu do Aljube, mas também não ficou sem colocação. A ex-deputada do PCP passou a integrar os quadros da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC) — empresa municipal responsável pela gestão dos equipamentos culturais de Lisboa — através de um processo interno célere.
Segundo a revista Sábado, a integração ocorreu em setembro de 2021, apenas duas semanas antes das eleições autárquicas que ditaram a perda da Câmara de Lisboa pelo PS. Em causa está a transição de um contrato em comissão de serviço para um vínculo sem termo, na categoria de técnica superior na área de museologia/património.
O processo terá sido desencadeado pelo diretor de recursos humanos da EGEAC, que propôs a integração da então diretora nos quadros da empresa. A decisão foi aprovada no próprio dia pela então presidente da EGEAC, Joana Gomes Cardoso, tendo o contrato sido formalizado no dia seguinte.
Contudo, a estrutura interna da empresa previa que decisões desta natureza fossem tomadas pelo conselho de administração no seu conjunto, e não de forma individual. Não foi localizada qualquer ata que comprove uma deliberação formal sobre o tema, o que levanta dúvidas quanto à conformidade do procedimento.
Rita Rato assumiu a direção do Museu do Aljube em 2020, após um concurso que gerou polémica, sobretudo pela ausência de um percurso académico ou profissional diretamente ligado à História ou à museologia.
Após cessar funções como diretora, mantém-se agora na estrutura da EGEAC como técnica superior, com um vencimento mensal superior a dois mil euros, continuando a exercer funções no mesmo equipamento cultural.
A empresa municipal recusou prestar esclarecimentos adicionais sobre o processo, invocando tratar-se de matéria interna de recursos humanos. Já Rita Rato não respondeu aos pedidos de comentário, feitos pela revista Sábado.
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